SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER
Programa
Bach Bem Temperado
HELENA ROMÃO 12 à 6.ª *
FILIPE ESTEVES Trio *
JOSÉ JÚLIO LOPES MarimBach *
LUÍS TINOCO Shadow Antiphonies *
JOSÉ JÚLIO LOPES | FILIPE ESTEVES Bach à parede *
* Estreia absoluta
SOFIA NORTON flauta de bisel
ANTÓNIO CARRILHO flauta de bisel
ELIZABETH DAVIS percussão
O Cravo Bem Temperado surgiu num momento particular. O temperamento acabava de ser “inventado”. O principal objectivo de Bach era o de demonstrar que era possível compor em todas as tonalidades utilizando o novo sistema de afinação de “bom temperamento”. Outro objectivo era o de demonstrar como a composição musical podia ser moderna e progressiva se ligada a algumas ideias do passado.
Bach Bem Temperado é essencialmente um divertimento (levado a sério, bem entendido). Tomando o exemplo de Bach partimos para a demonstração de que as flautas de bisel (a grande colecção das flautas de bisel) oferecem inúmeras possibilidades tímbricas, agilidade, articulações, expressão e cor para a composição contemporânea (não devem por isso ficar restringidas apenas ao contexto da música barroca e antiga); e também ficam bem ao lado da marimba – um instrumento modernamente adicionado à paleta tímbrica da orquestra ocidental (com a sua origem africana, a marimba junta a sua madeira às madeiras das flautas). Sendo o Cravo Bem Temperado a obra de referência para este projecto, é pois de demonstrações que se trata:
Uma: que é possível compor música com todos os tipos de exigências, estilos e expressão escrevendo para flautas de bisel.
Outra: que é possível compor música moderna e progressiva fazendo ligações ao passado.
Sofia Norton
António Carrilho
Elizabeth Davis
BBT é um projecto da COISA-EM-SI
12 à 6.ª * – Helena Romão
Dedicada ao Tiago, à Beatriz e à Francisca
Com um agradecimento especial à Sofia Norton
(...) é o que acontece
aos prelúdios
que ficam deitados
calados
a esperar o que acontece
Variação sobre Rifão Quotidiano de Mário-Henrique Leiria
Trio * – Filipe Esteves
Na origem desta peça estão duas ideias que fazem referência à obra O Cravo Bem Temperado de J. S. Bach.
A primeira é a ideia de mecanismo, característica dos prelúdios que integram a obra referenciada.
Nesta peça, um motivo - o arpejo ascendente - é obsessivamente repetido formando uma textura homogénea, como uma máquina que é posta em movimento.
A segunda ideia está relacionada com o próprio conceito de “afinação bem temperada”, que serviu de mote a Bach.
Aqui, ele é simbolizado pelo campo harmónico de doze notas (que completam o total cromático) a partir do qual se deduziu todo o material melódico/harmónico.
Trio desenvolve-se livremente a partir destas premissas.
Marimbach * – José Júlio Lopes
O material de referência é retirado da Fuga VI BWV 851 (Livro I, dWK). A operação consistiu em retirar partículas do original e remontá-las descontextualizadas como base para o material novo, surgindo como células rítmicas ou evocações melódicas. A peça desenvolve-se segundo um programa de liberdade construtiva, a partir de um interesse especial na exploração das potencialidades tímbricas, agilidade e expressividade das flautas e da marimba.
Shadow Antiphonies * – Luís Tinoco
Bach à parede * – José Júlio Lopes & Filipe Esteves
Um ready-made construído a partir do Preludium II BWV 847 (Livro I, dWK). O material original é regularmente perturbado com intromissões e cortes de carácter irónico, auto referenciado e radicalmente estranho. Uma transcrição improvável.