SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Programa
No trilho do mestre - 4 abordagens do contraponto
ALEJANDRO ERLICH-OLIVA Três Fragmentos Alusivos
ARNOLD SCHOENBERG Sete Cânones
JOHANN SEBASTIAN BACH Sonata n.º 4 em Dó menor (violeta e piano)
JOSEF HAYDN Sonata op.11 n.º 4 em Fá maior
OPUS ENSEMBLE
PEDRO RIBEIRO oboé
ANA BELA CHAVES violeta
OLGA PRATS piano
ALEJANDRO ERLICH-OLIVA contrabaixo
Três Fragmentos Alusivos define-se como uma homenagem a três referências centrais para Erlich-Oliva. Baseando-se em temas de Pedro Caldeira Cabral e Carlos Paredes, recorre à técnica do contraponto para os desenvolver antes de terminar com uma estilização da chacarera, dança argentina de origem rural. A primeira metade do séc. XX tem em Schoenberg a figura que maior impacto causou na definição da prática compositiva de então. O atonalismo e o dodecafonismo, mais do que as conquistas da Segunda Escola de Viena, são afinal como uma evolução natural.
Um dos exemplos mais concretos da consciência histórica de Schoenberg é precisamente o da elaboração de cânones ao longo de toda a sua carreira, tal como Bach e Brahms o fizeram.
Manifestam a preocupação que manteve relativamente ao exercício da composição tonal de estilo antigo. Terá sido para o Collegium Musicum, com sede no café Zimmerman em Leipzig, que Bach escreveu a Sonata para Violino e Cravo Nº 4 ainda antes de 1725. Aquele grupo formado por músicos amadores e profissionais, teve assim oportunidade de tocar esta peça que augura o estilo pré-clássico. No início da década de 1770 o editor J. J. Hummel publicou em Amsterdão as Six Sonates a Flute, Violon & Violoncello, composées par Giuseppe Haydn, Oeuvre XI (…) e cujo título atesta bem das estratégias de venda dominantes no período clássico: Atrair as classes educadas europeias, que falam francês, através de obras para instrumentos da moda de um compositor italianizado. Afinal tratavam-se de arranjos não autorizados pelo compositor a partir de algumas peças para baryton, uma espécie de viola da gamba, e que Haydn havia escrito apenas para uso privado.
João Pedro Louro