SALA LUÍS DE FREITAS BRANCO
Programa
SOFIA GUBAIDULINA Chaconne
SERGEI RACHMANINOV Seis Prelúdios de op.23 e op.32
FRANZ LISZT Totentanz, transcrição para piano de Eldar Nebolsin
ELDAR NEBOLSIN piano
A assumida inspiração mística e metafísica de Gubaidulina, que relaciona a religiosidade, o simbolismo e a numerologia, fá-la encontrar na vida e obra de J. S. Bach uma das matrizes mais preponderantes do seu percurso. Chaconne (1962), que recupera a dança barroca do mesmo nome, apresenta um tema coral que se vai desdobrar em diversas variações determinadas sobretudo pelos detalhes dinâmicos e mudanças rítmicas. Entre 1893 e 1910 Rachmaninov escreveu um total de vinte e quatro prelúdios, um para cada uma das tonalidades maiores e menores, como se de uma leitura tardo-romântica do Teclado Bem Temperado de J. S. Bach se tratasse. Os seis que aqui são apresentados seguem a ordem menor-maior numa selecção daqueles dois conjuntos. Foi numa das viagens a Itália que Liszt começou a esboçar Totentanz, originalmente pensada para piano e orquestra, e que reporta ao fascínio que a morte sempre lhe exerceu. Trata-se de uma narrativa instrumental sobre o topos medieval da dança macabra e que resulta numa série grandiosa de cinco variações. Estreada em 1865, assenta sobre a melodia gregoriana do Dies irae que invoca a visão apocalíptica do Juízo Final.
João Pedro Louro